Sou tomado por uma alegria danada quando vejo se consolidar no caótico mercado musical brasileiro algum ser pensante, que não tem medo de dar suas opiniões (e não se furta a fazê-lo). E a alegria é redobrada quando percebo nesses tais seres, além do talento poético-musical, uma saborosa e afiada prosa. Estou me referindo a Zeca Baleiro, claro. Já tive até ímpetos de enfiá-lo num texto do Ninguém me Conhece, mas achei que seria muita cara de pau, não bastassem Ceumar e Celso Viáfora, pra ficar entre os mais ou menos conhecidos destacados lá.
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Um Cearense em Cuba: Décimo Primeiro Dia
2006
JUNHO
DÉCIMO PRIMEIRO DIA
Miércoles, 28.

Fomos à praia. Uma das melhores de Santiago. 40 minutos de táxi. Calma lá, não foi essa fortuna toda que vocês estão pensando, apesar de não ter sido barato. Contratamo-lo via Cubatur, e ele marcou hora pra nos levar e trazer de volta. Uma das melhores praias de Santiago equivale a uma das piores de Varadero. Uma praia cheia de rochas e pedras pequenas; pra entrarmos no mar tínhamos que fazer um baita malabarismo e nos contorcer todos até nos afastarmos do perigo de cortar os pés ou escorregar. Até esqueci o nome da danada da praia, mas não faz diferença, pois não vou indicá-la. O bom foi que ficava dentro de uma espécie de clube, segurança total (se bem que por aqui a segurança é total em praticamente todo lugar). Havia também goiabeiras espalhadas por toda a margem, que nos davam uma bela sombra. Nessa praia, um dia alguém teve uma ideia maravilhosa: fez uma espécie de cerco redondo, todo feito de rochas, dentro do mar, com apenas duas entradas pra água do mar penetrar e uma escadaria que acabava dentro das águas, e foi justamente ali que desfrutamos, pois, fora do cerco, além das pedras, havia ondas violentas. Na volta o taxista nos descontou cinco pesos, pois trouxe também dois amigos alemães, que falavam muito bem espanhol. Um deles era fanático por salsa e já havia vindo a Cuba umas quatorze ou quinze vezes.quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Um Cearense em Cuba: Décimo Dia
JUNHO
“Está cerrado”. Ouvimos hoje esta frase não poucas vezes. Um senhor de 65 anos, cujo nome me escapou, morreu pela manhã. E o que tem isso com as portas fechadas? Este senhor foi um dos criadores do Festival Caribenho, que acontecerá semana que vem, e durará a semana toda. Por conta disso, todos os ensaios e apresentações que estavam marcados pra hoje não ocorreram, e muitas casas fecharam, por luto. Kana ficou deveras desapontada, pois marcamos pra ir a uma praia próxima amanhã, mas se soubéssemos que o dia ia ser improdutivo, teríamos marcado pra hoje. De bom, apenas a vitória do Brasil por 3 a O sobre Gana e a plena recuperação de Ronaldo. A onda de improdutividade recaiu sobre o outro, o Gaúcho. Engraçado que Adriano, sem praticamente fazer nada durante o jogo todo, acabou fazendo um gol de joelho que, se minha vó não fizesse, minha mãe certamente o faria. E o outro jogo, Espanha e França, terminou em 3 a 1 pra esta última. Esperamos todos que Ronaldo não “amarele” de novo…
DÉCIMO DIA
Martes, 27.
“Está cerrado”. Ouvimos hoje esta frase não poucas vezes. Um senhor de 65 anos, cujo nome me escapou, morreu pela manhã. E o que tem isso com as portas fechadas? Este senhor foi um dos criadores do Festival Caribenho, que acontecerá semana que vem, e durará a semana toda. Por conta disso, todos os ensaios e apresentações que estavam marcados pra hoje não ocorreram, e muitas casas fecharam, por luto. Kana ficou deveras desapontada, pois marcamos pra ir a uma praia próxima amanhã, mas se soubéssemos que o dia ia ser improdutivo, teríamos marcado pra hoje. De bom, apenas a vitória do Brasil por 3 a O sobre Gana e a plena recuperação de Ronaldo. A onda de improdutividade recaiu sobre o outro, o Gaúcho. Engraçado que Adriano, sem praticamente fazer nada durante o jogo todo, acabou fazendo um gol de joelho que, se minha vó não fizesse, minha mãe certamente o faria. E o outro jogo, Espanha e França, terminou em 3 a 1 pra esta última. Esperamos todos que Ronaldo não “amarele” de novo…terça-feira, 16 de novembro de 2010
Ninguém me Conhece: 26) Declarando os bens de Álvaro Cueva
Um sujeito se dá conta de que está ficando velho quando fatos que até havia pouco lhe eram recentes da noite pro dia parecem pertencentes a encarnações antigas. Foi o que aconteceu comigo ao puxar pela memória minha primeira lembrança de Álvaro Cueva. Deu-se assim: Em 2002 fui convidado pelos amigos Rodrigo Campos e Nany di Lima a participar do projeto Samba da Bênção. A ideia era originalíssima: uma vez por semana, no Teatro Arthur Azevedo, no bairro paulistano da Mooca, uma roda de samba comandada por Rodrigo homenageava um sambista. Até aí, nada de mais, a peculiaridade consistia no roteiro do show, que trazia nos intervalos das canções uma espécie de palestrante que contava, não a biografia do homenageado, mas fatos curiosos, pitorescos, que o envolvessem. Em seguida, aproveitando a deixa, atores comandados por Nany invadiam o palco e interpretavam a cena. O palestrante era eu! Foi, inclusive minha primeira experiência de palco, e agradeço imensamente aos dois pela oportunidade que me deram.sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Crônicas Desclassificadas: 5) Sem Novidade
Dia desses ouvi de um cara que conheci um relato que achei que dava um bom conto. Hoje aproveitei o silêncio das noturnas horas pra pô-lo no papel, ou melhor, na tela. Ei-lo:
Sem Novidade
Por Léo Nogueira
Então, nessa época eu trabalhava de segurança. Armado e o escambau. Era no esquema de 12 por 36, tá ligado? Quer dizer, eu trabalhava 12 horas e descansava 36. Ou seja, dia sim, dia não. Eu era do turno do dia. Era tranquilão, sem crise, nunca deu beó comigo. De vez em quando vinha uns noia, mas eu colava neles e mostrava a ferramenta, tá ligado?, e era sem novidade. Mas moleza mesmo era o turno da noite. A casa fechava dez horas, tá ligado?, 22 horas. Daí era só sossego. Dava pra tirar altos cochilos, só precisava fazer umas ronda de vez em quando pra cumprir com o riscado. Mas era suave. Eu sei disso porque o fulano que me rendia me contava, porque de dia não tinha essas parada de cochilo, não. Nem na hora do almoço!Ninguém me Conhece: O 1º show
A partir das 21h da noite do dia 20 de novembro próximo (quis o deus das coincidências que caísse no Dia da Consciência Negra), no novíssimo Bagaça Botequim (que também é a nova sede das Segundas Autorais do Clube Caiubi), que fica na rua Clélia, 2023 (esquina com a Jericoacoara), no bairro da Lapa (Pompeia?), pertinho do Sesc Pompeia, minha coluna Ninguém me Conhece ultrapassará as fronteiras do mundo virtual em direção ao mundo real. Nessa noite subirão ao palco (ou serão representados por outros artistas) Celso Viáfora, Ceumar, Daisy Cordeiro, Élio Camalle, Kana, Kléber Albuquerque, Léo Nogueira, Lúcia Santos, Sonekka e Vlado Lima. A maioria deles já confirmou presença! Os telefones pra reserva são: (11) 2386-4915 e 9584-2388. E o valor da entrada pra assistir a seleta lista é apenas R$ 10! O show será filmado e futuramente será divulgado no youtube e aqui. Feita a propaganda, passemos à prosa.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Ninguém me Conhece: 25) Os fragmentos intactos de Alexandre Lemos
A primeira vez que ouvi falar de Alexandre Lemos, se não me falha a memória (e ela costuma falhar!), foi numa segunda autoral no antigo Caiubi, ainda em Perdizes, pela boca de Sonekka, enquanto este apresentava as duas canções que lhe cabiam. Em dado momento, entre a primeira e a segunda canção, disse ele: “Alexandre Lemos, pra mim, é o maior compositor vivo!”. Tomei um choque. Como é que eu nem sequer conhecia um compositor que pra um parceiro chegado era simplesmente o maior vivo? Fiquei encafifado, mas o tempo passou e acabei esquecendo o dito cujo. sábado, 6 de novembro de 2010
Um Cearense em Cuba: Nono Dia
2006
JUNHO
NONO DIA
Lunes, 26.
JUNHO
NONO DIA
Lunes, 26.
Não retomei. Dormi. Livros, se não os levamos nas viagens, fazem-nos falta, se levamos, não temos tempo pra lê-los…
Hoje, após o café da manhã, fomos à Casa del Estudiante, que fica exatamente ao lado do Hotel Casagranda, do outro lado da rua. Lá acontecia um ensaio de um grupo de dança chamado Matumba (se não me engano), dedicado à música folclórica. O espetáculo, a cujo ensaio assistimos, mescla três influências da música cubana. Do lado oriental do país há a influência francesa, do lado ocidental há a africana, e há também uma outra (cuja origem esqueci completamente), todas juntas formando uma trilogia a que o espetáculo se dedica. Este grupo é muito famoso, e já viajou por vários países da Europa, além do Canadá. O diretor é rigorosíssimo, um negro pequeno, com tranças e uniforme de basquete, que certamente deve ter trocado com alguém (o uniforme, não as tranças). Ao final, coversamos com o coreógrafo, e Kana o filmou. Foi ele quem nos deu todas essas informações. A dança é muito vigorosa, pois remete às origens africanas dos cubanos.sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Crônicas Classificadas: 6) O elogio do amor, segundo Almodóvar
Há alguns anos, a convite de Ricardo Soares, comecei a escrever alguns textos pro site do Caiubi explicando meu processo de criação. O site foi pelos ares, mas consegui salvar alguns textos, entre eles, o que segue abaixo. Estivesse só, eu o colocaria nas Crônicas Desclassificadas, mas, como serve de prefácio pra um texto de Walter Salles, vai aqui mesmo, nas Crônicas Classificadas:
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Crônicas Desclassificadas: 4) Quarups e calados
O Brasil se baianizou. No sentido preconceituoso da frase. Ou eu não nasci de bem com a felicidade. Explico: nesta quinta-feira última, ganhei da sogra (que sogra!) uma viagem para Rio Quente-GO, um resort (ou, como dizem por lá, risórti), já que fica mais bonito assim, em inglês. Lugar maravilhoso, com muito sol e diversas piscinas de água quente natural, além de um parque aquático “mudernamente” batizado de Hot Park. O primeiro dia foi ótimo, relaxante, revigorante. Eles têm lá um método interessantíssimo que é uma espécie de cartão personalizado que cada um leva ao peito e utiliza aonde quer que vá, sem precisar se preocupar com usar dinheiro.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Crônicas Classificadas: 5) El buscador
Quando finalmente pisei numa sala de aula na tão ansiada condição de universitário, tive o prazer indescritível de conhecer a espanhola Teodora Freire, uma simpática senhora que iria ser minha professora de espanhol. Lembro-me de que estávamos no laboratório onde iriam ser ministradas as aulas. Teodora preparara-nos um áudio-livro com um conto de um escritor argentino chamado Jorge Bucay. Pus os fones, fechei os olhos e entrei numa viagem inesquecível. O conto era maravilhoso; a voz, do próprio Bucay, era grave, serena; e o mais incrível foi que consegui entender praticamente tudo!
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